Conforme nos esclarece Ramatis,
os médiuns podem ter uma aquisição natural da mediunidade ou ter uma faculdade
de “prova”. A diferença principal está no renascimento do espírito, pois o
médium de “prova” vem imaturamente com uma faculdade mediúnica e o dever de
melhorar espiritualmente e sanar seus débitos cármicos na vida terrena, já o
médium com faculdade “natural” desenvolve espontânea e gradativamente sua
mediunidade, sendo consequência de seu aprimoramento moral e espiritual,
conectando-se com o plano espiritual através da intuição aguçada.
A mediunidade do médium de “prova”
e do médium “natural” é vivida de forma distinta, visto que o primeiro se
esforça para manter-se na vibração do bem com um exercício árduo de
aprimoramento pessoal e moral e o segundo tem em sua essência a intuição e a
sutileza psíquica que o faz entender a importância do amor e do contato com o
divino. A metáfora do músico/pintor é muito esclarecedora, pois alguns nascem
com o dom dessa arte (divina) e outros precisam trilhar penosos caminhos para
apreender esse saber (espiritual).
Cabe salientar que a inteligência e
o desenvolvimento mental devem ser usados a nosso favor e a prática da
mediunidade precisa ser séria e respeitosa, visto que não somos nada sem o
auxílio dos espíritos angelicais. Por isso, o orgulho, a vaidade, a ambição, a
prepotência e a leviandade só nos tornam presas fáceis para os espíritos
maléficos que tentam nos atrair com fenômenos e práticas frívolas que só podem
nos trazer mais débitos cármicos.
“Há sempre
atenuante para aquele que peca por ignorância, mas é indigno da tolerância quem
o faz deliberadamente, depois de haver-se comprometido para a efetivação de um
serviço que diz respeito ao bem de muitas outras criaturas.” (RAMATIS, p. 45)
Atentamos para o conhecimento da
mediunidade e das questões espirituais que podem nos auxiliar ou nos afetar,
pois a nossa evolução espiritual depende de nossas escolhas e interesses
pessoais, pensando na vontade divina e no bem maior de todos.
O vídeo “Umbanda – queda do médium”
de Norberto Peixoto é muito esclarecedor quanto à possibilidade de queda do
médium e de um centro de Umbanda. Nas palavras de Norberto Peixoto, ditas por
Pai Tomé, o médium precisa atentar para três cuidados: vaidade, dinheiro e
sexo. Todos podem ser vividos positivamente, pois manter a autoestima, buscar o
progresso financeiro e ter uma relação afetiva/sexual sincera são fatos que
condizem com a nossa vivência terrena positiva. No entanto, ser vaidoso e
necessitar de elogios, fazer da mediunidade um ganho próprio com uma
dependência espiritual e ser promíscuo, são atributos negativos para um médium
que busca a evolução pessoal e espiritual.
Somos seres imperfeitos, mas
podemos cuidar de nossas ações e pensamentos, mantendo uma faixa vibratória
positiva para que sejam atraídos espíritos de luz e não soframos interferências
psíquicas e espirituais. No plano espiritual, o aprimoramento ético/ moral e a
pureza do coração, do amor verdadeiro, é o que importa. Nossa evolução é
gradativa, e a vibração positiva e contínua gera o amadurecimento e a adequada
estrutura emocional que nos mantém firmes e confiantes em nossa caminhada.
Portanto, precisamos atentar sempre
para nossos pensamentos e comportamentos a fim de buscar a evolução espiritual,
mas acima de tudo, vibrar positivamente pela egrégora da Casa da Paz. A
segurança, a confiança e o esforço coletivo é que sustentam nossa conexão com o
plano espiritual, por isso “Orai e Vigiai”.
(Ane - trabalhadora da Casa da Paz)
Referências:
RAMATIS. Mediunismo. Psicografia de Hercílio Maes. Capítulo 7. Considerações
sobre a mediunidade natural e de prova. p. 42-45.
UMBANDA: Queda do médium -
"estouro" da corrente. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=elep5ef_Mos>
Acesso em: 20 jun. 2017.
Bem esclarecedor o texto. Temos que ter cada vez mais clareza e discernimento em nossos atos e atitudes, claro, começando pelo pensamento, pois mediunidade, seja ela natural ou de prova, requer comprometimento e responsabilidade. Com isso minha cara irmã de corrente e madrinha, concordo com o exposto e reforço a máxima do "orai e vigiai", tão comentada e pouco praticada.
ResponderExcluirParabéns Ane. Excelente texto.